quarta-feira, 23 de outubro de 2024

um mero corte

O gato ganhou uma nova mania, um mau hábito que não consigo entender. À noite quando estou no sofá a ver netflix seja na televisão ou no iPad, ele coloca-se em modo de ataque, e realmente ataca. Uma almofada é a solução para ele esquecer o seu predador e não me ver como uma presa ou um brinquedo. 


Uma noite foi vitorioso, conseguiu arranhar-me no pulso. Acalmando o seu lado fera, e colocando-se a uma distância de segurança na carpete.


No escuro, com uma luz frágil, só percebi que tinha feito ferido quando começo a sentir um ardor, trazendo um sentimento de uma espiral escura mas familiar. A mente automaticamente reage, e lembra-se mais profundamente desse ardor quente numa alma que se sentia fria e sozinha. 


Triggering.


Desejo por mais.


Envolvida na nostalgia da emoção e sensação.


Dou por mim a agarrar o pulso, a repetir que não preciso e consigo resistir. Anos se passaram, uma fase que marcou e faz parte de quem me tornei. Uma procura por um alívio temporário de dor física para contrabalançar o constante de pensamentos e peso mental.


Um conforto. A pele fina e ardor quente. Alívio na dor fina e prolongada.


Viciante, pelos picos de adrenalina, e contraste de sentir a sensação física a alimentar o psicológico ao parar momentaneamente os pensamentos e focar-se naquela se são de alívio. A mente transforma-se em silêncio, um sentimento estranho mas agradável. 

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