A minha escrita anda focada em histórias com base em personagens ou universos alternativos, mas com uma boa pitada de literatura erótica. É o que faz a minha alma ficar em fogo. Fica aqui uma partilha que é tudo menos convencional.

Um caos escaldante governado por insanidade, imprudência, excentricidade e adoração. É apenas um eufemismo de como era aquele mundo.
Onde os demónios viviam para o caos. Onde os cães do inferno perseguiam sem descanso as almas dos que tinham sido condenados a um lugar severo e sem regras. Onde os espíritos medem à força contra os anjos caídos e arruinados de pecados mortais. Onde os reapers e colecionadores de almas clandestinos fazem contratos com os harbingers para continuar o ciclo vicioso de emprisionar os mortais a um destino trágico. Um vazio tomado pelo desespero, pois as aparências iludiam o que ali vivia. Coitados eram os que se deixavam enganar.
Um rei do inferno.
Uma rainha dos demónio.
Disputavam o seu domínio, mas não como reis e rainhas mortais, era um eterno duelo de vontades e um jogo cruel de provocações, sem limite para as crueldades que se infligiam e para as traições em suas palavras. O próprio tempo, desacreditado e desgastado, estagnou, tornando os dias e as noites indistinguíveis, criando uma realidade onde apenas a dor e o prazer importavam.
Os que eram apanhados no fogo cruzado, encontravam espaço para seus próprios prazeres perversos. O caos tornava-se um campo de jogos onde moralidade e ética eram palavras sem sentido, e onde a insanidade era uma forma de arte. A dor e o prazer confundiam-se, experiências indistintas num ciclo que alimentava a própria essência de cada ser.
Era um mundo onde o desejo de poder e a necessidade de escapar da eterna monotonia entrelaçavam-se, criando uma atmosfera onde a única certeza era a constante mutação de sua própria perversidade.
-Mestre, estou aqui como pediu - a voz era fraca, envolvida em inquietação, uma figura fechada sobre si mesma, negando a elegância que mantinha perante as cicatrizes de ter-se rendido aos prazeres carnais.
Pelo salão ecoava o som do liquido áspero a escorrer pelo interior e exterior do corpo. Com satisfação ele suspira recuperando o fôlego de ter bebido mais uma garrafa, sendo envolvido por aquele calor do álcool, aguçando ainda mais os sentidos. Gotas a escorrer pelo pescoço, indo de encontro ao torso nu e musculado.
Um único gesto bastava para trazer aquela figura para mais perto de si, caindo espalhafatosamente à sua frente, provocando um sorriso de desdém seguido de realização ao perceber a sua figura angelical corrompida. Impossível ficar indiferente aquela beleza, uma pele branca marcado por um vermelho e roxo recentes, mais predominante nas coxas, peito e costas. Reivindicada, pensava. A mão é estendida, forçando o movimento e olhar intenso, e num impulso, força aquele anjo caído contra si, apertando a cintura em possessão. Aquela figura estremece ao toque, e ao contrário da sua postura envolvida em apreensão, emanava um calor confortável. Obrigando a apoiar-se no tronco, uma das mãos desliza pela lateral até ao pescoço, levantando-lhe o queixo e encarando com um olhar envolvido em chamas esverdeadas.
-É a primeira vez que me deparo com a tua figura. Quem é que realmente te convocou? - uma voz grave, um olhar que cobiçava, um toque áspero, um presença envolvida em intensidade.
-Senhora das sombras - uma voz que ia ganhando tom, um corpo que gradualmente ia ficando à vontade com o contacto tão próximo - os rumores são verdade - o olhar responde com curiosidade escondida de luxúria, os dedos percorrem o rasto seco deixado pela bebida de mais cedo.
Impedida de se mexer, com as mãos presas à sua frente por apenas um aperto severo, é obrigada a se sentar no colo. Já completamente hipnotizada por aquele olhar de predador e entregue às consequências que viessem.
-Tão bratty, agrada-me e és tão apetecível - uma pausa enquanto beliscava o corpo que já se tinha rendido às palavras - O que quer dizer que tenho que te ensinar qual é o teu lugar.
A mão livre percorre o decote até ao pescoço, restringindo a respiração até o corpo ficar à beira de colapsar. Ele levanta-se, pegando nas coxas afundando as unhas, obrigando a que se segure a si e fique comprimida no seu físico duro. Ainda a recuperar os sentidos, uma mão percorre o pescoço sendo seguida da língua até ao lóbulo e ficar embriagada pela figura de poder e o que iria acontecer a seguir. Sem perceber a força, contra a parede mais próxima, obrigando-a a soltar um gemido indistinguível da dor ou da tensão que já os envolvia. As mãos deslizam pelas coxas, arranhando e deixando para trás um rasto de vermelho prestes a rasgar a pele, enquanto a boca procura pela clavícula. Os dentes crescem e marcam a sua presa ficando anestesiada para a união de fluídos.
Entre as sombras daquele salão, onde começavam a ecoar os sons de prazer entre predador e presa, escondia-se. Sem conter o seu sorriso singular, a passear os dedos pelo corpo despertando o apetite, envolvida nas suas asas, a assistir ao desenvolvimento que os seus olhos perseguiam.
Entregue e subjugada a ele, era uma visão deliciosa daquele dinâmica. Era o rei do inferno e podia adquirir qualquer transformação e usava isso para lazer e subjugação. Mãos que marcavam o corpo, usando a força de palmadas ou as garras afiadas. Suspiros envolvidos em delírio.
A mente estava sobrecarregada, mas o corpo movia-se habilmente à procura ainda de mãos. Os olhos gotejavam com a intensidade, mas a essência de provocação era maior que todo o ardor interno e externo. Vira-se, recebendo as unhas pelo peito e barriga, o olhar faminto encontra uma abertura pelo desafio, as mãos tocam no membro que desperta, revelando a sua monstruosidade.
-Vou-te foder até não seres capaz de te mexer ou pensar, afinal é isso que um anjo caído deseja - um sorriso malicioso e perverso, um olhar pelo corpo despindo-a.
Impedida de continuar a tocar, sentia uma vez mais a parede fria nas costas. Manuseada como uma boneca, agarrada pela anca com uma perna à volta das costas, uma perna contra o pescoço e as mãos presas acima da cabeça. Ele ri, uma vulnerabilidade patética que completava a perversão do prolongamento da experiência que já tivera e intensificação das sensações graças ao veneno, definitivamente perfeita para os seus gostos. Penetrando-a devagar, queria vê-la perder ainda mais a compostura, gozando-se no restrito espaço que era obrigado a ajustar-se ao tamanho, sentir um calor cómodo e molhado até a alma. E sem dó ou piedade cumpre as suas palavras.
O crescente êxtase que se formava no seu abdómen, e não aguentando a sensação de fricção húmida, releva-se, recebendo um riso ladino em contraste com o olhar reluzente e dominado por deleite ao aproximar-se.
-Gostaste do espetáculo graças ao teu presente? - sem preocupação deixa aquela figura entregue a si mesma e concentra-se nela e em si, ao sentir o quão teso já estava.
-Aprecio sempre um aperitivo para abrir o apetite e depois saltar para a sobremesa - o dedo indicador percorre o lábio até ao final do rosto e pedir que ele viesse ao seu encontro.
Ele estala os dedos, reduzindo qualquer distância e despindo-a da sua forma demoníaca, e sem perder o impacto de a segurar, as mãos perdem-se pelas curvas acentuadas, beliscando e arranhando. Gemidos do quão entregue já estava. O membro reage aquele ruído sedutor, latejando e continuando a escorrer-se na pré-ejaculação contra a barriga de ambos. Desesperada por prolongar a impaciência, roda ao seu redor e cola-se as costas, as mãos passeiam pelos peitorais e deslizam a uma velocidade cruelmente lentamente pelos abdominais até que uma agarre aquele pedaço volumoso e cheio.
-Fodasse … O teu toque é de enlouquecer! - procurando por ela atrás de si, perde os dedos pelo cabelo comprido, e incentiva-a a aumentar a pressão e velocidade à volta da ereção.
Sentindo que ele perdia-se mais a cada movimento, e já com a cabeça encaixada no seu pescoço, morde-o e bebe daquela veia contaminada por adrenalina e álcool. O quente dos movimentos que aconteciam no corpo, e ao ser a sua sobremesa sentindo o veneno que ia entrando na sua corrente sanguínea, largam gemidos do nome que só ele podia invocar.
Após satisfeita, é surpreendida por mãos a enrolarem-se na cintura e seio, voltando a recuperar o poder. O corpo começava a arder em êxtase, o fogo impaciente no abdómen desce misturando com o embebido dos lábios inchados à espera da sua vez.
Um gemido de possessão, lábios que chocam num beijo desesperado e desleixado. As línguas encontram-se numa guerra de quem possui o controlo. O que escorre pelos cantos, é limpo pelo polegar grosso e áspero e dado a lamber, provocando ainda mais o endurecimento que estava prestes a ser cuidado. Por mais que ele quisesse entrar e sentir o seu interior, não podia deixar passar o facto de ela ter estado o tempo todo a observar e o quanto o corpo já exigia para ser usado, mas ele tinha uma tortura em mente para a fazer endoidecer e ficar perdida na luxúria.
Num estalar de dedos demonstrando o seu poder, são transportados para um dos quartos favorito de ambos. Antes que ela se ajustasse, já estava encostada à cruz com uma faca apontada ao pescoço.
-Sempre com os teus truques… - gemidos de excitamento seguem-se ao sentir a ponta fria e afiada, a descer lentamente pela clavícula e peito, deixando um rasto de ferida superficial mas capaz de cortar pela carne suave ao toque.
-Gosto de ter ver implorar - dois dedos deslizam pelas dobras molhados, mergulhando no quente e apertado - e ouvir-te gemer o meu nome - faltando o ar com aquele movimento brusco e grotesco - tão molhada só de assistir
Rouba um beijo de possessão ganhando grunhidos de excitação à mistura, mas é travada de continuar ao sentir a pressão da faca no meio do peito e o crescente movimento bruto dos dedos a entrar e sair. Por serem longos e grossos, sentia-se preenchida e desejada a cada toque que despertava ainda mais aquele fogo que evoluía dentro de si.
-Quieta! Já tiveste a tua diversão, agora é a minha vez - tanto a voz como o olhar gritavam sadismo, vê-la despida e como se ofereceu ao aparecer das sombras, completamente vulnerável e pronta para qualquer jogo que ele escolhesse, criando um calor tão difícil de conter que latejava a cada resposta do corpo.
A cada respiração sentia a lâmina a desenhar na pele, aumentando o frenesim e a eletricidade cortante que crescia no seu interior, com a mente em branco e rendida ao prazer. Aqueles dedos a preencherem e obrigarem a sentir cada irregularidade, deslizarem pela entrada e chocarem brutalmente contra o núcleo. Quando olhava para ele, só aumentava a sua rendição ao cruzar os olhares e ver o fumegante desejo, o toque pesado mas disfarçado com atenção extrema. A cada movimento à volta ou dentro do seus pontos de prazer, tornava-se difícil manter-se no presente e ia entregando-se ao prazer descomunal da situação exposta que se encontrava, escorrendo para a mão que nunca se cansava de explorar e investir e pelas coxas.
-Preciso de … não aguento mui…
Em movimentos ríspidos mas naturais, a faca é atirada para o chão, e é guiada ao encontro do membro inchado e pulsante com o poder e fogo possuídos e usados, obrigada a receber até os olhos chorarem sem tempo para ajustar.
-Fodassse, essa tua boca suja serve tão bem para me receber!
Guiada com um pulso firme na cabeça, aos mãos buscam pelas coxas e rabo cravando as unhas em vingança. Tão abruptamente como o recebe, perde-o recebendo como punição apalpões severos nos seios e sentir os mamilos apertados ao ponto de faltar o ar com o agudo daquela sensação electrificante a percorrer os pontos sensíveis. Breves segundos para respirar, e mergulhar naquele comprimento mas desta vez com o objetivo de se engasgar e vê-lo rolar os olhos à sensação. Engolido e numa mistura de saliva e ejaculação, o corpo transforma o formigueiro num alívio roco e profundo.
-Satisfeita com a sobremesa? - percorre o comprimento com a língua até à ponta e só aí engole aquele néctar que a fazia escorrer ao pensamento de se ter sido usada.
Puxa-a para um beijo desarrumado e desesperado, enquanto aos mãos arranham a pele sensível e exposta dos corte e rindo-se do olhar de êxtase a lutar contra a dor. Empurrada contra a cama, sente o peso sobre si. Um cheiro anestesiante de uma mistura de suor, álcool e ferro. Num breve segundo que ele baixa a guarda, agarra-o pelos cabelos, rouba um beijo e morde-lhe o lábio com o canino sentindo o calor a escorrer com a gravidade pela cara.
-Estou pronta para o prato principal - ri da fúria da expressão em cima de si, ainda a recuperar e assimilar aquele comportamento.
Ambas as mãos são puxadas acima da cabeça e presas num aperto inflexível, enquanto recebe mordidas severas mas que perdiam ao sentir a ponta a roçar no inchaço dos lábios e forçado contra o núcleo tão inchado e sensível. Um jogo que dura minutos, perdida para as sensações com a mente em branco, apenas gemidos e fragmentos de palavras mal articuladas.
-Implora, implora por mim, sua vagabunda - trazida à realidade, encontra o reflexo do seu azul roxeado num mar de pura obscenidade.
Resiste por mais um pouco, mas a provocação só piora ao entrar e assim que sente as paredes a comprimir, sai para voltar a navegar na mistura de néctares.
-Usa-me, por favor - ainda não estando satisfeito, pressiona o aperto à volta das mãos e encosta-se ao ouvido
-Quase lá, mas quero ouvir mais - um beijo seguido de uma mordida com dentes saboreando o calor das veias, recebendo um gemido de entusiasmo.
-Rei do inferno, fode-me como só tu sabes!
Palavras sujas de elogio que o fazem engolir em seco e sorrir abertamente. Perdendo-se dentro dela até bater no cérvix e ouvir os gemidos de consolo de ser preenchida. Por breves segundos o pensamento era de prolongar um pouco mais aquela excruciante espera, mas já se tinha entregue para a adrenalina e insanidade de ver e sentir como os corpos se recebiam e encaixavam, independentemente da força, violência e anarquia de prazer entregue aos instintos.
A essência dos seres mais poderosos daquele reino afluía, a cada chocar de corpos, ondas de possessão e poder eram enviadas e recebidas. Mãos desesperadas por se agarrarem a carne e provocarem ainda mais dano. Não eram humanos, mas também não eram animais a copular. Era seres sobrenaturais com tamanha fome e sede, fazendo juz aos seus títulos. Gemidos e palavras abafadas ecoavam, tremenda era aquela energia capaz de ser sentida pelo reino.
Pernas apoiadas nos ombros, permitindo aprofundar ainda mais e guiada pela insanidade de prazer que crescia e controlava. As investidas eram cada vez mais rápida, sentia o corpo relaxar seguido de uma tensão crescente nas pernas e prazerosamente dolorosa à volta do seu membro. Sai a escorrer daquele buraco viciante e recebe um olhar que matava senão se desviasse e responder com um puxar de cabelo, colocando-a de quatro e abrir as suas fendas para a sua visão deixando-o a salivar.
-Rende-te à mim mulher demónio! - como ignição para o fogo de excitação que comandava o corpo, as suas asas e cornos aparecem.
Hipnotizado por aquela visão pronta para ser tomada, com uma mão faz pressão a meio das costas e a outra agarrada na anca, afundando-se e forçando-se contra à pressão das paredes e a entrada encharcada. O instinto comanda e com a exacerberança não contida, desperta, dentes e cornos surgem.
A atmosfera transforma-se tornando-se um éden caótico, com os poderes e verdadeiras formas, governados pelo estado cru e primal. A energia descomunal, sons profundos e grotescos de gemidos, de dois corpos entregues à alienação e intensidade do desejo. Juz aos seus nomes, à soberania, potência e excesso.
Um ritmo frenético, anca contra coxas, fricção a aumentar a sensibilidade do botão inchado, ensopado dos fluídos permitindo deslizar até ao limite do cérvix. Uma intensidade vertiginosa, sensações velozes, mente ausente e enfeitiçada. O centro queima e contrai-se, os músculos tensam, formigueiro no interior do ponto sensível, leveza prazerosa com a pressão no clitóris.
-Tão perto! - palavras que saíram misturadas em gemidos prestes a explodir.
Abafando os gritos e o desespero da excitação ser vertiginosa, em movimentos naturais e rudes, forçando o seu peso e sentir o frio das asas nas laterais, pressionando violentamente os dedos em movimentos circulares, prendendo-se ao outro corpo com apertos pelo peito e pescoço. Os nervos em fogo do contacto, as mentes num estado obsceno, tensão de membros no limite. Numa euforia e frenesim, o orgasmo é violento, ardente, profundo. Um calor e dureza prazerosa preenche-a, misturando-se com poça de néctar que era o interior. Nomes misturados perdidos por entre gemidos profundos e indistinguíveis. Corpos suados, possuídos pelo êxtase, entregues aos instintos primitivos, envolvidos numa dinâmica de poder, tolerância e afeição distorcida.
Deslizando devagar do quente onde adorava perder-se, cai na cama sem cortar olhar daquele brilho arroxeado viciante. O corpo a tremer das ondas de exuberância, apoia-se nos braços e perde-se no olhar verde hipnotizante, roubando-lhe um sorriso de satisfação. Recebe uma festa na cara estendida pelas costas, derretendo-se pelo cansaço do corpo.
-O teu lugar é ao meu lado - uma fala ainda e recuperar o fôlego, mas despedida das diversas muralhas - apenas é interessante ver até onde vai a tua criatividade.
-Gosto de provocar os fogos - a mão passeia pelo tronco delineando as cicatrizes - e ainda mais queimar-me neles.
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