Talvez, talvez as pessoas estejam certas. Mas na minha cabeça é um talvez não, é pura teimosia.
Colocar por escrito, entrega claridade e pode ajudar. E torna tudo real, acabando por ser assustador por alguma razão... Porque não é só o começar, é enfrentar os medos e a realidade. E por isso acabo a tornar-me na minha própria prisão.
É como olhar no espelho e o reflexo esta com uma flecha apontada ao coração, tão de afiada como de macia. São aprendizagens e lições, é verdade. No entanto, não apaga o facto do medo continuar lá a rondar as sombras, da síndrome do impostor pesar e ser difícil erguer a cabeça, do esforço ter uma probabilidade de não vir a ser recompensado e drenar qualquer adrenalina.
Uma armadura para o mim e o mundo, com um reflexo embaciado num espelho quase rachado, e sombras que não conseguem parar quietas como cenário. Não me reconheço, mesmo perante as feições familiares e aprendidas.
O temor é enorme ... de começar, de falhar, de não saber o que virá. É uma luta injusta, motivação e objetivos palpáveis contra procrastinação e depressão. E como mediador está o comodismo. Porque a disciplina existe, só falta a energia e capacidade mental de ignorar todo o burburinho e a sensação de cair em queda livre.
É tanto de viciante como de enganador. Porque traz uma solidão confortável, alimenta os monstros que teimam em padrões ... comparação, não sentir o suficiente. Só nesta prisão que não é, as grades desfazem-se assim que passos são dados. E nisto tudo só eu própria é que posso ser o empurrão, dizer à mente para calar-se e dar o passo em frente.
Tudo começa e acaba na pessoa. Nunca senti tanto este peso e poder de costas coladas. Aos poucos destrói-me, sufoca-me, consome-me... Eu sei que consigo, mas mesmo assim não consigo. Sou eu a falar contra mim mesma ... uma a gritar e a chorar, a outra a sorrir e esperançosa.
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