segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Querido coração

Um caos controlado num oceano imenso de vozes, emoções, monstros.

À espera daquela gota que disturbe o movimento das águas. Aquela fagulha controlada e certeira que coloca fogo ao pequeno barco que flutua nessas águas.

Tentar tanto em manter a cabeça levantada, olhar em frente e agarrar nas cordas que teimam em cair e rasgar a pele, simplesmente não perder o equilíbrio.

Frágil, enrolada em plástico bolha. No entanto, tão mal manuseado e sustentado. Pedaços à mostra, já partidos ou à espera que isso aconteça.

Uma armadura com diferentes modos de camuflagem, todos com um feitio. Não sei lidar com as emoções. Coloco-as a um canto para mais tarde, ignorando-as. Mas é óbvio que se acumulam e acumulam, chamando-lhe o peso do inconsciente. 

Até haver algo que é mais intenso, e é pólvora para acontecer uma explosão ou um derrame. 

Em qualquer dos dois não é calmo, é explosivo, caótico, feio, bagunçado. Tudo que estava contido, vai surgindo, camada a camada. E sinto. E custa. E dói. 

Quando a razão desligasse e as emoções assumem, é tanto o peso emocional que o desejo por algo físico aparece com uma lâmpada intermitente ao fundo do túnel. Familiar, uma saída, um conforto confuso. 

A queda continua, cada vez mais sozinha, numa imensidão de barulho e silêncio, num turbilhão de movimento de camadas de emoções e os seus momentos.

Num escuro emocional, a implorar por luz.

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