quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

caminho de árvores

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Aquela memória assombrava-o. Em criança acordava aterrorizado, mas ao passar pela adolescência era o pesadelo que se tornou confortável. Em adulto era um lugar recorrente para qual a sua mente o levava ao enfrentar a sua inexistência sentida. 


Uma tarde de outono, o sol a começar a deslizar até ir desparecedo no horizonte. O céu a ficar iluminado por tons laranjas e rosas. As árvores despidas, a mostrarem a sua cor castanha que misturada com os raios de sol, realçava a seiva em dourado e o musgo em verde. O chão coberto por folhas criando um tapete de tons castanhos, laranja e verde. 


A meio do caminho deparava-se sempre com uma imagem branca pouco nítida. Pelas imensas vezes que se tentava aproximar, era puxado e afastado, sem descobrir o que representava... 


Um dia como os outros, estava a dissociar do barulho de fundo, quando entra em deja-vu. Como se estivesse a sonhar acordado aqueles pesadelos que sempre fizeram parte. Mas desta vez a imagem branca estava a tornar-se mais nítida e próxima. O branco moldasse num berço e lá dentro encontra-se ele, em bebé. A pessoa que não nasceu, mas que criou toda uma história para sentir a vida. 

7 comentários:

  1. Gostei muito do teu texto. Uma descrição cénica que nos leva a caminhar por entre as árvores e um desenlace inesperado! Adorei!
    Muito obrigada pela partilha e uma boa noite!

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  2. Isto foi demasiado profundo para o meu pobre intelecto alcançar toda a sua dimensão, por isso creio que não falho quando digo que é fantástico!

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  3. ahah, já sabes que tirar vários sentidos e deixar as coisas em abero está no sangue
    Obtigadooooo!

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  4. muito interessante! gostei
    beijinhos e dias felizes

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