Cinco, mais seis dias após o início do ano é quando tudo realmente começa para mim.
Ficar doente com gripe A, no último dia do ano, no dia em que volto a fazer a viagem de emigra, não estava nos meus planos. Exatamente como perder dinheiro para uma festa de passagem de ano. Passar esta agarrada a cobertores e num esforço de manter-me acordada para sentir e "celebrar" a virada do ano.
E se pensava que estava a sentir-me já bastante doente e a ter toda a energia drenada pela febre, só piorou nos dias seguintes. Deixar de ser um humano funcional, resignar-me a ficar na cama porque levantar-me era um jogo de probabilidades, algumas vezes sem nada capaz de trazer-me conforto e ficar a olhar para o vazio e a confusão do interior.
Começar o ano doente, com a moral já destruída e as pequenas melhoras serem falácias. Algo que não estava nos planos ou esperava. Ironia do universo ou karma, qual fosse, foi duro e riu-se na minha cara por ser obrigada a parar quando o espírito voltava.
Com o primeiro nevão de inverno e do ano, é quando começa este ano e, volto a sentir-me como uma pessoa, a energia a voltar aos poucos e o aspeto a melhorar. E mesmo assim não deu para resistir e não ir dar uma volta e sentir a magia que é a neve.
As memórias que traz, o sentimento de esta tudo certo porque a natureza é linda e tem o seu próprio ritmo.

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