Óbvio que já sabia que traumas são reais, que ficam connosco, que deixam feridas (as quais que teimam em não sarar), que levam tempo, que são espinhos constantes.
Porém…
O que sei de mim é o que carrego daqueles lugares escuros , do ambiente de ferro ao meu redor, das máscaras expostas nas paredes.
No entanto…
Com a maturidade e auto-consciência e no presente olhando com um outro olhar: aquela experiência marcou-me!
Mais profundamente do que imaginava. Mais penoso e doloroso do que sempre quis admitir. Mais real do que sempre quis enganar-me.
A rotina é ligeiramente diferente, mas o núcleo continua o mesmo. E após os tempos de adaptação, aceitação e mudanças, é surreal como ficou entranhado no corpo.
A ansiedade silenciosa que reclama atenção nas pequenas grandes coisas. O pânico que paralisa o corpo e aprisiona a mente.
A luta já é constante e torna-se mais intensa com peças que não deveriam pertencer. Sem um lugar definido, com as bordas afiadas, leves e pesadas ao mesmo tempo. O que trazem, ecoa, é carregado de frustração e injustiça, provoca medo. E tudo o que vejo é aquela versão assustada, envolvida em sombras de emoções enquanto coloca a sua melhor armadura.
A mente sabe que é seguro, trabalho contínuo pelas marés. Só que o corpo engoliu e as experiências moldaram-no.
As peças podem não pertencer, mas encaixam-se.

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