segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Peças cortantes

Óbvio que já sabia que traumas são reais, que ficam connosco, que deixam feridas (as quais que teimam em não sarar), que levam tempo, que são espinhos constantes. 


Porém…


O que sei de mim é o que carrego daqueles lugares escuros , do ambiente de ferro ao meu redor, das máscaras expostas nas paredes. 


No entanto…


Com a maturidade e auto-consciência e no presente olhando com um outro olhar: aquela experiência marcou-me!


Mais profundamente do que imaginava. Mais penoso e doloroso do que sempre quis admitir. Mais real do que sempre quis enganar-me. 


A rotina é ligeiramente diferente, mas o núcleo continua o mesmo. E após os tempos de adaptação, aceitação e mudanças, é surreal como ficou entranhado no corpo.


A ansiedade silenciosa que reclama atenção nas pequenas grandes coisas. O pânico que paralisa o corpo e aprisiona a mente. 


A luta já é constante e torna-se mais intensa com peças que não deveriam pertencer. Sem um lugar definido, com as bordas afiadas, leves e pesadas ao mesmo tempo. O que trazem, ecoa, é carregado de frustração e injustiça, provoca medo. E tudo o que vejo é aquela versão assustada, envolvida em sombras de emoções enquanto coloca a sua melhor armadura. 


A mente sabe que é seguro, trabalho contínuo pelas marés. Só que o corpo engoliu e as experiências moldaram-no. 


As peças podem não pertencer, mas encaixam-se. 


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