quarta-feira, 16 de julho de 2025

#7 para 2025

Usa o tema da primavera/verão como metáfora para mudanças internas.


 


A primavera chega devagar, e tímida. Com pequenos deslumbres num ambiente ainda despedido. Um pouco de cor que vai crescendo em galhos secos. A evolução é subtil mas assemelha-se a uma avalanche silenciosa, onde as folhas e flores preenchem os galhos e carregam a mudança do ambiente. 


E eu? Ainda presa no cinza, um inverno interno mesmo quando o sol já beija a pele. 


A mudança vai acontecendo, aos poucos e poucos. O corpo sente. A mente continua a querer batalhar-se até que os glimmers começam a aparecer...


Os dias tornam-se longos e agradáveis. A temperatura começa a ser mais agradável e as roupas mais leves. As possibilidades de vestir o que gosto e sentir-me confortável. Os fins de tarde com a árvores a florescerem. O ar quente da noite. 


O verão é a vida transbordar da exuberância. Os dias longos e ilimitados, as manhas de céu azul acompanhadas de sol e algumas nuvens, as noites quentes onde tudo esta mais vivo. O corpo vai no ritmo e a mente acompanha com o que pode. 


E eu? Sinto o calor, a energia. Só que cá dentro ... ainda existem tantas sombras. 


As estações mudam. Eu fico a ver.


Talvez eu vá mudando também, devagar, quase invisível.


Talvez um dia acorde e perceba que já não espero mais que as sombras ditem e falem por cima.


Talvez, quando a primavera e verão forem dentro e não apenas fora, eu deixe de me encontrar neste vazios de transições. 


E só sinta.

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