quinta-feira, 28 de novembro de 2024

efeito borboleta?

quatro meses. existe uma certa dor escondida por detrás da forma como duas palavras ecoam na minha mente. talvez ainda exista mágoa, um certo rancor. um peso estranho no tom. 


voltei, enganada na esperança e energia, que as coisas podiam mudar com a mudança que estava próxima. a minha alma já sentia, aliás, esperava por isso. e quando aquelas palavras saem da boca num tom frio e distante, soube imediatamente. tomada pela ansiedade, mas com o cérebro a processar e sabendo a conversa difícil que viria. não o foi, pelo contrário foi simples, porque a decisão não partiu de mim.


só um número. um robô com falhas. tentativas que não existiram, apenas dedos apontaram sem mudanças reais. uma caminhada que ninguém merece passar. 


culpas com peso igual. fui levada pela corrente, deixei-me boiar, perdida para a imensidão que não conseguia reconhecer. tomada pelas palavras erradas que ficaram gravadas no meu corpo. drenada. magoada. excluída. ignorada. 


existem males que vem por bem. não há melhor ditado. 


era algo que esperava, iria facilitar a vida. mas não deixou de não doer. da raiva e da frustração. o choque e o contraste, iria voltar à mesma rotina que tirava-me a ânimo de levantar-me porém iria poder continuar a prolongar aquele descanso. navegar pelas emoções.  uma aceitação que instalou-se suavemente.


por motivos do corpo e mente precisarem de uma pausa para assimilar todo o caos de viver a correr. ocupada sem estar ocupada. objetivos baços e inconstantes. à procura da adrenalina, sem ser capaz de encontrar aquela chama para repetir tudo mais uma vez.


não seria o primeiro rodeio. apenas diferente. rodeada de conforto, auto-consciência, respostas às perguntas que deixavam-me a ponderar o que estava assim tão errado em ser apenas diferente. 


a calma foi instalando-se. depois da tempestade vem a bonança. veio, mas trouxe também ventos fortes. os espaços que já não viam sol por demasiado tempo, acostumavam-se ao serem iluminados. o pó é levantado e mostra os esqueletos.


tudo menos linear. andar para frente, andar para trás, ficar. voltar a repetir o ciclo. sentir no corpo a mente. sentir na mente o corpo. 


tempo. calma. tão estranho de quem é ativa. mas o que primeiro estranha-se, entranha-se. 


um limbo, entre o que dia foi e o que o dia era. perder a noção. afundar-me ao dar voz às mudanças que já sentia. entender a mudança. não é aceitação, é reconhecimento


Imagem do Pin de história


um presente disfarçado. resiliência. escolhas e oportunidades. 


silêncio que não precisa de ser preenchido. não existe nada de errado em apenas estar. ouvir e dar o que é necessário, até parece um crime mas é só uma necessidade. respeitar.

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