terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

parada no tempo...

A vida parece parada, mas fui eu que a fiz assim. Mais uma vez sinto-me abandonada, deixada no canto. Com todas estas emoções dentro de uma garrafa que esta demasiado cheia e prestes a arrebentar. E depois há os momentos de realização (que tem acontecido por ondas suaves), onde sou confrontada comigo mesma, com as partes obscuras, que são difíceis de engolir e tolerar.  


Lembranças retornam. E devido às minhas emoções estarem à flor da pele, há feridas que deixaram marcas profundas que permanecem no presente. Naquela altura doeu, mas sabia que não era mais saudável, toda a ansiedade que se podia tornar em pânico se tocasse nos pontos sensíveis e depois aquela voz de tornar a história e ser a culpada e ouvir verdades que nem sempre são necessárias serem ditas. Aprendi, especialmente sobre colocar barreiras, só que agora apercebo-me que isso também me levou numa estrada que não é saudável. Acabei por me refugiar, ainda mais, em mim mesma. Deixei de ir até meio do caminho, de dar à mão e esperar que alguém me viesse ao meu encontro, de dar o passo e ir ao encontro. O porque? Talvez por ter crescido a ser a pessoa a ir, a procurar, a fazer o esforço. Uma máscara, mas que no fundo era eu a ferir-me incontáveis vezes, mesmo que esse fosse um caminho que me deixava feliz por ver os sorrisos ao meu redor. A vida leva e traz ciclos, e desde que a minha realidade foi tão abanada que me levou a cair, a adaptar e a re-adaptar. Algo ficou sempre para traz, naqueles tempos onde estando sozinha a rede de apoio era o que me fazia lutar e sorrir. A vida adulta foi correndo, e os laços tornando-se frágeis.  

Neste presente, vejo nitidamente a bolha que criei à minha volta. Esforços que ficarem pelo caminho, e a dor que isso traz, por culpas que são vagas, por feridas, por conforto. A criança ferida a enfrentar os cantos escuro nas minhas costas. Isso traz vagas de estar tudo à flor da pele, sem noção, sem medidas de controlar, sem energia suficiente para colocar as camadas que me fazem ser eu. Ao enfrentar as emoções com a coragem a tremer, a visão turva mostra as verdades do espelho.  


Vir a morder à língua, por ter ficado a navegar na maré, após tantas ondas terem sido batalhadas. Sei a energia que foi e é necessária, a evolução e coragem de estar para os dias. A critica constante a voz que não se cala, fazem com que nunca seja o suficiente. Em busca de um balanço que nunca é o suficiente, alimentando à voz, os monstros que não se escondem mais nos cantos.  


Enfrentar os sentimentos e as emoções dói. Trabalhar perante um oceano é esgotante. Necessário, mas dar os primeiros passos nem sempre é o mais difícil, mas sim continuar a colocar essa energia. A dificuldade de a mente querer encontrar aquele balanço que é imperfeito. Na constante busca de ser perfeita, mas sendo tao inerte à mim mesma e a um redor que é colorido mas coloquei à preto e branco. 


Ser afetada por outra parte da vida, por ser um mundo tão despido traz consigo à realidade e os esqueletos, e principalmente o mundo que esta por trás do que leva a gostos excêntricos. Uma visão tão crua e real, que transporta um espelho onde as feridas abertas e saradas são tocadas.

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