segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

é apenas um desabafo para o yule

Não sei quando o natal passou a ser ainda mais solitário. Talvez quando comecei a universidade, ou talvez ainda mesmo disso. Só sei que se foi instalando nas pequenas rachas e alastrando-se ao longo dos anos. Especialmente quando a minha vida passou a ser fora de portugal e passar a ser uma adulta.


Há razão não é a perda de pessoas da família. Sempre fomos pequenos e sem tradição especial, apenas o jantar, cada um ia para o seu canto e voltávamos a reunir-nos perto de meia noite para abrir os presentes. A idade foi avançando e resume-se a jantar, presentes e resume-se mais um dia como tantos outros.


 


Mas sempre vem aquele sentimento agridoce quando vejo ou oiço relatos das famílias com tradições e relações. É algo que lido desde que me lembro, mas nunca deixa de "doer" menos por desejar o mesmo ou que pelo menos esta época contasse com mais sentimento.


O meu escape sempre foi os animais, até o seu tempo, era o alex que me fazia companhia e me deixava brincar e chorar nele, depois o bolinha e a mel vieram ocupar aquele grande espaço, até o kookie vir-me ensinar lições como o alex o fez. O meu suporte e a família que nunca me desapontava, por isso é quando me puseram a possibilidade de deixa-lo na bélgica e eu vir, nunca iria ser possível. É ele que faz com que seja um pouco mais suportável. Ainda agora a escrever, ele esta a dormir enrolado na manta, enquanto pequenas lágrimas vão caindo por esta solitude.


 


É difícil admitir, mas o ano que passei na bélgica por impossibilidade de vir à casa, foi uma lufada de ar fresco porque deu-me a oportunidade de passar como eu queria sem ter as amarras da família. Custou, porque apesar de todo este desabado, é família e é portugal.


Quantas vezes me ponho a pensar de como seria se o presente fosse diferente. Se tivesse a minha própria família já formada e este dia fosse passado com outros. Se passasse rodeada de amigos que se tornam família ao estar emigrada. Se decidisse viajar e viver uma experiência diferente.


 


Sou grata pelo presente, não importa todo a disfunção familiar, são laços que me trouxeram a este mundo. Só que não me impede de me sentir triste e sentar-me com estas emoções nesta noite. Esta é uma das principais razoes que comecei a caminhar no mundo holístico e tomar consciência do que se alinhava comigo, passei a considerar solístico de inverno e yule. Voltar à ancestralidade que se foi apagada pelo tempo e honrar o que ressoa com a minha alma e me traz conforto. Na escrita antiga a imaginação voa e é o que ela precisa e quer.


 


2 comentários:

  1. É um dia como os outros, só que a tradição continua a pressionar-mos para que o festejemos, como se o tempo fosse sempre igual, o que não é verdade, quase tudo mudou.

    Feliz Natal e boa semana.

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  2. nao podia concordar mais. diz-se para se adaptar, mas a verdade é que isso nao acontece.
    esta demasiado integrado na sociedade.

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