domingo, 20 de agosto de 2023

diário que chamou o mar

Uma caixa, dentro do armário. Ignorado e esquecido


Achado e chamado à luz da tinta. Alguns sinais do tempo e compressão, entre outros tantos cadernos e livros, à espera de voltarem a ser usados. 


Um cobertor, um copo de café. Na pedra da janela, a olhar para o horizonte de casas que se perdem com o céu azul. Um t-shirt longa, o cabelo atado de forma desajeitado após ter acordado. 


 


"Sonhei com o mar. O azul das ondas a rebentarem e o branco espumarem serenamente, visto ao longe. A pintura dos rosas e azuis do amanhecer. O cheiro à salitro e a brisa da noite a desaparecer na evolução da manhã.


O apartamento com cores beje e sinais do tempo. Simples, mas confortável para os pensamentos que precisavam de retornar ao corpo. Vaguear pelas divisões, e ser chamada pela natureza lá fora. A varanda com uma cadeira de baloiço. Um desejo tão forte, que parecia abandonado em tempos que eram tão diferentes


A independência, a solitude, a quietude, o estar só. Silêncio de estar rodeada de tudo e do nada."


"Oh, mar como deixas saudades. De ficar perdida nas tuas correntes de pensamentos. A inexplicável paz, conforto e respeito pela potência dos elementos a juntarem-se num só.


De manhã ou ao entardecer. Sentir o vento a envolver o corpo, a contrabalançar a temperatura dos dias de verão. Escolher um sítio perto das dunas ou das rochas.


Correr até as pequenas ondas que rebentam e se perdem na areia. Dançar na areia, o corpo fluir como ele necessita e como a natureza chama.


Paralisada pela imensidão e sobrecarregada da energia emanada dos momentos que nunca irão existir palavras suficientes para descrever.  Apenas se sente e se relembra. Descargas de faíscas pelo corpo."


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