sexta-feira, 13 de maio de 2022

assim é

Hoje acordei para falar a verdade que vai dentro de mim. Sem sinónimos, sem frases nas entrelinhas, o que é verdadeiro e cru. O que dói, mas é fácil passar despercebido. O que ainda não é bem definido ou aceite pela sociedade.


O meu desaparecimento foi principalmente pela depressão ter reaparecido. Não só a sazonal, toda a mudança que têm acontecido, os constantes contratempos, mas também devido a condições vividas no trabalho. Pressão, stress, julgamento, começar com o pé errado, mal entendidos. Mas desta vez, não era capaz de lidar sozinha, por isso fui procurar ajuda. Após 2 tentativas, encontrei alguém que logo na 1°consulta me fez ver com imensa clareza o que ponho para debaixo do tapete, por ser tão dura comigo própria. Os dias bons e maus continuam, mas existe mais clareza e entendimento sobre as razões, os triggers, a ansiedade. 


A outra razão foi na noite do dia de páscoa, ter caído das escadas do meu apartamento (12 degraus de metal), só me vejo a tentar agarrar em vão ao varão e já no chão a chorar pelo impacto da queda, a dor e a adrenalina. Fui para o hospital (e desta vez a experiência foi a mesma que sempre tive em portugalm indiferença e tudo ao tempo das pessoas), com bastantes dores, sem conseguir sentar-me. Pouco depois com toda a dor e adrenalina, sinto-me a desmaiar e acordo já no chão. Isso fez as pessoas acordarem e finalmente ter uma maca e ser movida para um quarto. Mesmo com o comprimido, ainda bastante dor, um rabo a ficar da cor de uma ameixa, costas doridas e com as marcas dos degraus, um braço com feridasm o outro com mais nódoa negra. 


Mas sendo casmurra, criada e ensinada ao modo português e tendo o corpo ainda a funcionar a adrenalina, passado 1 dia fui trabalhar e aguentei bem até ao final da semana. Mas no fim-de-semana, com o descanso e a presença de pessoas que trouxeram uma saudade de doer dos meus pais, família, amigos, país, a dor piorou e veio para ficar. Ainda fui trabalhar, mas a concentração e foco eram difíceis de manter e percebia-se claramente na minha cara a dor e desconforto em que estava. Pagar pela língua...


Baixa por 1 semana e meio. Tentar comprimidos que nada faziam passado 1 dia, relaxantes usculares que deixavam-me pior que estar drogada e completamente sem saber como ser uma pessoa, posições para aliviar as dores, massagens, acupuntura... Descanso, que era necessário para recuperar e ajudar a começar o processo de sarar. Pelo meio a lidar com dor física e emocional. Dias comigo mesma, voltar ao ioga e meditação, ganhar coragem para escrever sobre temas que há tanto tempo estão a ser remoídos dentro de mim sem conseguirem ser colocados para fora. 



Não estou bem ou estou mal. Estou a recuperar, a lidar com dores, a viver com ansiedade e depressão, a continuar a vida perante contra as adversidades, a passar pelos dias com o melhor que me é possível.


Posso acordar bem e as coisas estarem a fluir, até ter um trigger que me leva na espiral da ansiedade, ou algo que me deixa embaixo e o peso volto ao meu corpo. Ou posso acordar já com aquela nuvem pesada sobre o meu corpo, a depressão a fazer-se sentir pela letargia, procrastinação e só querer que o dia passe para tirar a máscara e voltar para a cama e ficar lá escondida. 


E é assim no silêncio, que as coisas passam despercebidas, que a saúde mental não é levada a sério, quando o impacto é enorme no físico. 

13 comentários:

  1. Desabafar faz bem e pode ajudar a ultrapassar momentos menos bons. Desejo-lhe boas e rápidas melhoras.
    Beijinhos

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  2. Boa e rápida recuperação querida!

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  3. bom dia, bii
    espero que o corpo esteja a recuperar bem e as dores sejam quase ausentes. quanto ao resto, és humana! bem-vinda
    beijos e tudo de bom

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  4. Não desista de procurar ajuda.
    As melhoras.

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  5. infelizmente o que não se vê nem sempre é bem aceite.
    Revi-me um pouco em cada palavra da desmotivação.
    Força

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  6. Boa noite,

    pior que as dores físicas são essas na mente o no espírito. Quem não sofre ou nunca sofreu de depressão não entende o que é estar vivo sem viver.
    Portanto (eu não sou médico psiquiatra e muito menos psicólogo) apenas te aconselho a que escrevas. Quanto mais escreveres mais ficará diluída essa tua dor interior.
    Estás longe e esta é a única forma de te ajudar. Não sei outra.
    Mas a experiência de vida diz-me que os comprimidos jamais te tratarão dessa depressão. Tens de ser tu a decidir qual o caminho que pretendes seguir. E não vale a pena doirar a pílula pois que será um caminho sinuoso e duro.
    Se é para quem não tem depressão muito mais será para ti. Mas uma mulher é por natureza um poço de força e deste modo acredito piamente que ultrapassarás tudo com uma perna às costas.
    Coragem e mete uma faca entre os dentes e avança!
    Força nisso miúda. Que a porra da vida é para ser vivida...
    Um beijo!

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  7. Boa noite Bii.
    Escrever mais ...pode ajudar!
    Um beijinho ❤️

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  8. Desabafar tem sido o mais difícil mas também o que têm sido mais necessário

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  9. Obrigado, ainda estou a recuperar dessa e voltei a ficar doente mas é só o corpo a dizer para descansar....

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  10. Sem ajuda não seria possível, porque por mais difícil que esteja a ser é o que me permite continuar a encontrar um sentido

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  11. O que não se vê é o centro, o que é fácil de ignorar mas dificil de enfrentar
    Passinho a passinho...

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  12. Tentando mas quantas vezes as palavras também fogem....

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